Quem vê cursos cheios de objetos educacionais funcionando perfeitamente não imagina a equipe que está por trás da produção e nem as etapas do trabalho para que todas as mídias estejam sincronizadas e resultando em um ambiente adequado de aprendizagem. E é por desconhecer estas etapas que muitas vezes as Instituições e empresas não entendem o investimento e a responsabilidade necessárias a produção de um curso, e acabam trabalhando com equipes incompletas e que não resultam em um resultado muito eficiente.
Só para começarmos a conversa, a responsabilidade já começa com o Coordenador do projeto que é quem vai coordenar a equipe multidisciplinar necessária para a produção e que vai também fazer o Briefing inicial do projeto, considerando:
- Analisar os Planos de Estudos das Instituições e empresas mapeando conteúdos trabalhados conforme a área a que se destina o objeto educacional;
- Selecionar os conteúdos que servirão como base para o desenvolvimento dos subsídios didático-pedagógicos, buscando-se assegurar a dimensão interdisciplinar.
- Definir o público-alvo, os objetivos e os desafios a serem alcançados com o objeto educacional;
- Definir abordagens, metáforas e padrão metodológio a ser seguido de acordo com Planejamento pedagógico da Instituição.
- Definir particularidades da Tecnologia onde será inserida o objeto educacional, padrões do LMS (Learning Management System), CD-ROM, ou outros.
- Definir a equipe multidiciplinar: A constituição e o perfil destas equipes pode variar dependendo do tipo de objeto educacional que se está desenvolvendo, como por exemplo, para criação de um curso e-learning destinado ao ensino do uso de um determinado software, seriam necessários:
- coordenador do projeto;
- especialista no conteúdo;
- designer instrucional;
- especialistas em ferramentas de autoria específicas;
- designer(s) gráfico(s);
- revisor ortográfico e gramatical;
- locutor(es);
- programador(es) action script ou JAVA;
- especialistas em vídeo;
- ilustrador/animador;
- consultorias complementares.
Após a definição e a formação da equipe, o coordenador do projeto deverá organizar uma reunião com todos os membros para revisar o conteúdo inicial da proposta e elaborar o plano de trabalho, levando em consideração os seguintes pontos:
- validação da idéia e do conteúdo inicial;
- definição clara de quem será o público alvo de sua aplicação;
- definição do que se deseja apresentar e qual será a metáfora usada para a aplicação (em função do público alvo) e da importância de adequar a metáfora ao perfil dos usuários (idade, condição social, etc.);
- avaliação das possibilidades e impossibilidades técnicas, de tempo ou de recursos da equipe para desenvolver a metáfora proposta;
- definição da ferramenta de autoria, caso ainda não tenha acontecido;
- elaboração dos cronogramas geral e parciais para cada etapa;
- definição clara das etapas pelo coordenador do projeto, sua composição, prazos e o responsável por cada uma delas;
- verificação dos “direitos autorais” de todo material que for utilizar para evitar problemas judiciais quando da comercialização do produto. Lembrando que os “direitos autorais” podem ser relativos a textos, imagens, músicas, sons, vídeos e outros. É recomendável utilizar-se de uma acessória jurídica especializada para obtenção das licenças e a autorizações dos detentores destes direitos.
O grande desafio da figura do coordenador é mediar as divergências que ocorrem devido aos diferentes enfoques que cada componente da equipe dá ao produto, pois cada um deles tende a criar o aplicativo dando ênfase a sua especialidade. Principalmente na fase inicial do processo, o coordenador deve proporcionar reuniões freqüentes, utilizando metodologias de criação, tal como Brainstorm, onde deverá atuar como fomentador e mediador das discussões, pois a partir delas é será aprimorada a qualidade final do produto. É importante ressaltar que isto só funciona na etapa inicial, pois, quando o produto já está em elaboração, novas idéias, por melhores que sejam, geralmente resultam em aumento de custo do produto final e não cumprimento dos prazos. Portanto, é fundamental que logo após formada a equipe ocorram discussões exaustivas para uma boa definição inicial do produto.
Durante o desenvolvimento do projeto, existem tendências em alterar algo, uma imagem ou um vídeo para esclarecer melhor determinado item. É função do coordenador do projeto de definir quais alterações serão implementadas e como o cronograma deverá ser reprogramado para atender os prazos, bem como, atrelar as validações do cliente ainda na fase de roteiro de cada etapa, minimizando assim modificações futuras.
Uma vez finalizado o projeto, poderá ser gravada ou inserida em FTP ou no própio LMS a primeira versão do aplicativo para testes. É importante que esta etapa seja feita tanto pela equipe desenvolvedora quanto por uma pequena amostra do público semelhante ao público final e pedir-lhes para que anotem suas dificuldades, levando em consideração uma série de perguntas estabelecidas pelo coordenador quanto a ergonomia, conteúdo, identidade visual, e outras dificuldades e melhorias encontradas.
Se o aplicativo tem um cunho educacional, é sempre bom lembrar que o feedback final virá com o efetivo aprendizado dos alunos. Também é importante lembrar que não basta um bom produto com boa aceitação do público se não se dispuser de uma boa infra-estrutura de distribuição, acompanhamento (no caso de tutorias, avaliações e interatividade pelo LMS) e marketing.